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Análise ao Portugal vs Croácia

por R_9, em 27.06.16

No passado sábado, Portugal defrontou a Croácia nos oitavos-de-final do Euro 2016, tendo vencido no prolongamento com um golo de Ricardo Quaresma.

Não foi o jogo mais espectacular, com ambas as equipas a tomarem muitas precauções, sendo que Portugal deu mais a iniciativa de jogo ao adversário, tentando depois a partir de certas zonas impedir que eles construíssem e criassem, tendo como base muitas referências individuais.

Adrien entrou para a equipa titular e a sua principal função foi condicionar  Luka Modrić, tentando impedir que ele conseguisse construir ou criar algo na sua selecção. William Carvalho também andou sempre perto de Ivan Rakitić, tentando impedir que ele recebesse a bola entre as linhas de Portugal. Com estas marcações muito directas, muitas vezes abriram-se espaços em zonas que não deviam, mas que a Croácia nunca conseguiu aproveitar, visto apostar muitas vezes no jogo exterior. As dificuldades nos croatas aumentaram quando eram quase sempre os centrais a ter de construir - coisa em que eles não são muito fortes.

Duas selecções sempre a tentar preencher muito a área nos lances defensivos, tentando evitar situações de igualdade ou inferioridade numérica, assim como rápidos em transições defensivas, enquanto houve pernas para tal. Portugal atacou pouco, e das poucas vezes que o fez foi pouco eficaz. Nota para os movimentos de Raphaël Guerreiro para o interior, já que das poucas vezes que aconteceram desequilibraram o bloco croata.

Cristiano Ronaldo sentiu-se muitas vezes sozinho na frente e sem os colegas conseguirem criar algo, teve muitas dificuldades em aparecer. Com a entrada de Renato Sanches, Portugal conseguiu chegar um pouco mais na frente, fruto das características do jovem médio, tendo João Mário aparecido também um pouco mais. Nota para os lances de bola parada da Croácia, já que várias vezes criaram muito perigo.

 

 

 

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No passádo sábado, a selecção da Inglaterra fez a sua estreia no Euro 2016, num jogo perante a Rússia. Não foi propriamente um grande espectáculo de futebol, bem pelo contrário. Foram uma desilusão as exibições destas duas selecções, sendo que era da Inglaterra que se esperava mais. Orientados por Roy Hodgson, os ingleses mostraram muitas dificuldades em criar lances de perigo, apresentando uma construção de jogo bastante deficitária. Rooney apareceu em zonas muito recuadas para começar a construir, mas até ele sofreu do mesmo mal que os restantes: imenso jogo pelos corredores laterais. Quer seja em condução ou passe, com ou sem espaço para avançar, grande parte dos lances acabavam nas alas, mesmo com jogadores entre linhas no corredor central. Num dos poucos lances que a bola foi colocada com um passe vertical no corredor central, Alli sofreu falta e daí nasceu o golo. A Rússia foi uma das selecções mais fracas que se apresentou até agora nos seus processos de jogo. Uma primeira fase de construção onde só se conhecia o jogo directo, quer seja para Artem Dzyuba, quer seja para os corredores laterais. Mesmo com os centrais a terem dificuldades com bola, a Inglaterra decidiu não pressionar quase nunca essa fase. Muito pouca organização defensiva dos russos, sendo que acumulavam jogadores perto da bola sem grande critério.

 

 

 

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Adrian Šemper é um jovem guarda-redes que deu muito nas vistas no recente Mundial de Sub17. Foi, para mim, juntamente com o guarda-redes belga, os dois grandes destaques das balizas neste Mundial. Este ano já fez dois jogos na Youth League, onde sofreu três golos. É a grande esperança para a baliza da selecção A da Croácia, sendo apontado por todos como o futuro dono desse lugar.

Tem uma boa estampa física, mostrando uns reflexos muito bons e uma elasticidade tremenda. Posiciona-se muito bem na baliza. Nas saídas aos pés dos avançados é muito rápido e tem um grande raio de acção, conseguindo tapar muito espaço. É rápido a reagir e também sai bem aos cruzamentos, mas precisa ainda de mostrar mais presença nesse capitulo e não sair algumas vezes a medo. Está sempre a falar para os defesas, tentando ajustar as posições. Com os pés, tenta colocar a bola jogável para os colegas, embora algumas vezes ainda falhe. 

 

Tremenda saída aos pés do avançado.

 

Defesa atenta a um remate rasteiro e perigoso.

 

Bem posicionado e a agarrar com qualidade.

 

O bom jogo com os pés que já tem.

 

Bem posicionado e a aguardar o remate para depois defender.

 

Mais duas boas defesas praticamente seguidas.

 

Rápido a sair dos postes e a colocar a bola para ser jogada.

 

Vinko Soldo é um jovem defesa central canhoto do Dinamo Zagreb. Já não é de agora que dá nas vistas, pois já foi alvo de interesse de vários clubes ingleses - como o Tottenham. Durante este Mundial, foi o elemento em maior destaque do quarteto defensivo da sua equipa, e tanto que se sentiu a sua ausência no jogo dos quartos-de-final contra o Mali, onde foram eliminados. Já nos oitavos-de-final, no jogo contra a Alemanha, fez uma grande partida, correndo o rumor de que estavam na bancada olheiros de grandes clubes com a missão de o observar.

Soldo é um defesa muito forte no desarme e na marcação. Aliás, não me recordo de ver alguém assim tão forte no 1 para 1 defensivo com esta idade. Vi os jogos todos da Croácia e só me consigo recordar de uma ou duas vezes que ele foi ultrapassado por um adversário. É também muito forte na antecipação e no jogo de aéreo, ganhando quase todos os lances de cabeça. É duro a jogar, não sendo um defesa nada meigo. Já tem bastantes noções defensivas do encurtar espaços, subir ou descer linhas, jogando muitas vezes no risco. É muito forte fisicamente e tem uma grande impulsão. Só joga de pé esquerdo, o direito quase não o usa. Precisa de melhorar nas saídas a jogar.

 

A forma como deixa ir o avançado para ficar fora de jogo.

 

Um grande corte na área.

 

Arriscar a ficar subido, tendo depois a capacidade de fechar o espaço e cortar a bola.

 

Muito forte na antecipação.

 

O timing muito bom que tem na entrada à bola no 1 para 1.

 

Nikola Moro vinha referenciado como um dos jogadores a ter em atenção durante este Mundial, e o capitão croata não desiludiu.O jovem jogador do Dinamo Zagreb já fez este ano dois jogos na Youth League, tendo também jogado já na segunda equipa do seu clube. Foi um dos jogadores em maior destaque na competição, tendo existido já rumores do interesse de vários clubes europeus.

É um médio ofensivo moderno, com capacidade para jogar a 8 ou a 10. Tem uma grande visão de jogo, e uma capacidade de passe muito evoluída, preferindo o jogo em passe curto. É muito elegante a jogar, tendo um óptimo controlo de bola e técnica. Gosta de aparecer na área contrária, e tenta muitas vezes o remate de longe, onde tem um forte pontapé. Tem um grande raio de acção, andando pelo campo todo, no entanto por vezes ainda desaparece um pouco, precisando de ser mais constante. O seu pé preferido é o direito, mas não tem qualquer problema em usar o esquerdo. É também muito bom com a bola no pé em progressão.Tem uma personalidade forte, e demonstra isso em campo.

 

Recuperar, acelerar com a bola no pé e depois o bom passe para o colega.

 

Mais uma recuperação e um bom passe, colocando a bola na frente para o colega de equipa.

 

Classe e qualidade técnica.

 

Os seus remates de longe.

 

Não vale a pena escrever nada sobre o lance.

 

Pressionar, recuperar e assistir o colega de equipa para o golo.

 

Grande visão e qualidade de passe.

 

Mais um bom passe.

 

Josip Brekalo foi só o jogador que mais me encantou neste Mundial. Fez um péssimo primeiro jogo, mas em todos os restantes foi um dos melhores jogadores da sua equipa, sendo tremendo em todos eles. Tanto é, que nos jogos a eliminar já não o deixavam ficar quase nunca no 1 para 1 com o lateral contrário. Assim como os 3 jogadores anteriores, também joga no Dinamo Zagreb. Já jogou este ano na Youth League e na segunda equipa do seu clube.

Brekalo joga preferencialmente a extremo esquerdo, sendo temível nas diagonais para dentro, onde depois remata com o seu melhor pé - o direito. Tem uma técnica muito boa e uma finta curta que deixa a cabeça em água aos defesas, passando por eles muitas vezes no 1 para 1 no último terço do terreno. É bom a progredir com a bola no pé em velocidade, conseguindo dribles muito bons. Joga normalmente em passes curtos e tabelas, tendo boa visão de jogo para o passe. É forte nos cruzamentos e nos lances de bola parada, sendo ele que assumiu quase sempre isso na selecção croata. Também chuta bem de longe. É rápido e ágil. Não gosta muito de descer no terreno e ainda exagera muitas vezes nos lances individuais, perdendo várias vezes a bola.

 

Forte na progressão com a bola no pé.

 

As suas diagonais para dentro e remate.

 

Duas vezes que remata de fora da área ao poste.

 

Técnica e depois a visão de jogo e capacidade de passe.

 

Muito forte no drible curto e depois a deixar os seus colegas isolados.

 

Os exageros que por vezes comete nos lances individuais.

 

Receber orientando logo a bola para dentro e depois o passe para o lateral.

 

É muito difícil tirar-lhe a bola neste género de lances no último terço do terreno.

 

Mais uma vez. Técnica e passe.

 

Tirar os adversários da frente e depois cruzar com o pé esquerdo.

 

A técnica muito apurada.

 

Creio que estão aqui 4 jogadores que podem ter um futuro muito risonho. Claro que ainda são jovens e tudo pode acontecer, mas o potencial e a qualidade que já demonstram é enorme. Nomes claramente a reter para o futuro, já que se tudo correr pelo melhor ainda vamos ouvir falar muito neles.

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Scouting - Nikola Vlašić

por R_9, em 30.10.15

Tem 18 anos e é há muito tempo uma das maiores promessas do futebol croata. Desde muito cedo que Nikola Vlašić dá nas vistas, sendo possível encontrar vídeos dele no youtube de 2006, quando tinha apenas 8 anos de idade. É titularissimo no Hajduk Split apesar da sua tenra idade. No ano passado fez 37 jogos, onde marcou 4 golos e fez 3 assistências e esta época conta já com 21 jogos a titular - 13 no campeonato e 8 na Liga Europa - e 2 golos marcados. É o jogador mais jovem a marcar pelo clube nas competições europeias, depois de em Julho de 2014 ter marcado num jogo contra os irlandeses do Dundalk FC, precisamente no dia em que se estreou na equipa principal do clube. Já se estreou na equipa Sub21 da Croácia e tem sido regularmente convocado.

Nikola Vlašić é um médio ofensivo que tanto pode jogar nessa posição ao meio, como descair para uma ala ou ser a referência no ataque - onde tem jogado os últimos jogos. É normal com o decorrer do jogo passar por várias posições, principalmente depois das substituições. Acho que é a médio ofensivo, ao centro, que pode render mais. É um jogador já com um físico muito evoluído para a idade, tendo já uma grande massa muscular. É rápido, passando várias vezes em velocidade pelos adversários - tanto com ou sem bola. É um jogador com técnica, boa condução, controlo e toque de bola. Não é aquela técnica de andar a fazer fintas para o lado ou para trás, sendo mais de dribles em velocidade para a frente com a bola controlada.

Não tem problemas em usar o pé esquerdo, embora o direito seja o mais forte, rematando várias vezes com o pé esquerdo. Procurando sempre a baliza, chutando muito de longe, mas precisa de melhorar a finalização.Tem uma boa capacidade de passe e de visão de jogo, preferindo o jogo curto no passe. É muito forte na movimentação nas costas dos adversários. Para a idade que tem, já se movimenta muito bem em campo, procurando sempre bem os espaços, tanto na frente como a vir buscar mais atrás. Pressiona muito os jogadores contrários, não lhes dando descanso e ganhando muitas bolas. Precisa de não perder tantas vezes a bola.

 

 

 

 

 

 

 

 

Penso que Nikola Vlašić é um grande talento e que mais tarde ou mais cedo dará o salto para um grande clube na Europa, onde irá mostrar todas as suas capacidades ao mais alto nível.

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